
Além dos criadores regularizados, a equipe também atendeu denúncias anônimas de cativeiros ilegais. Nesses casos, a abordagem é orientativa, com explicações sobre os critérios legais para criação e incentivo à entrega voluntária, evitando sanções previstas na legislação. Em uma das ocorrências, foram encontrados 11 pássaros sem anilha, supostamente mantidos para comercialização clandestina. “Esses animais foram retirados da natureza e estavam sendo vendidos. Isso configura tráfico de fauna silvestre. Muitas vezes, não se trata apenas de manter o animal em casa, mas de integrar uma rede ilegal de comércio”, alertou a bióloga. Segundo a ONG Animallia, os animais resgatados passam por avaliação e quarentena. “Aqueles em boas condições físicas e comportamentais são encaminhados para programas de soltura em áreas autorizadas e com ocorrência comprovada da espécie. Os que não têm condições de retorno à natureza são destinados a criadores conservacionistas ou a centros de reabilitação, como o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Vitória da Conquista”, explicou Andreza Amaral, bióloga da organização. “A prioridade é sempre reintegrar o animal ao seu habitat. Quando isso não é possível, buscamos garantir qualidade de vida, especialmente para as espécies gregárias, que dependem do convívio em grupo para se manterem saudáveis”, acrescentou Andreza. As solturas ocorrem em áreas cadastradas pelo Inema, conhecidas como Áreas de Soltura de Animais Silvestres (ASAS), com monitoramento técnico especializado.
Mobilização nas escolas
Paralelamente à fiscalização, outra parte da equipe Fauna realizou atividades educativas em escolas de Bom Jesus da Lapa, com palestras, rodas de conversa e jogos interativos sobre conservação ambiental e os impactos do tráfico de fauna. A bióloga Samantha Grimaldi, do Inema, destacou que a educação ambiental é um pilar fundamental da FPI. “A FPI não se resume à fiscalização. É também um momento de sensibilização. Levamos às escolas informações sobre o Velho Chico, a fauna, a flora e o papel de cada cidadão na preservação desse patrimônio”, afirmou. Já a bióloga Aldenir Ferreira, da Animallia, reforçou o caráter pedagógico das ações com os estudantes. “Falamos sobre os impactos do tráfico, sobre a importância do rio São Francisco e da biodiversidade local. Depois, aplicamos um jogo que recapitula as ações da FPI no município, de forma lúdica e participativa, para mostrar que todos podem contribuir com a defesa do rio”, completou. A força-tarefa da FPI segue com atividades em diversas frentes nos próximos dias, unindo fiscalização, educação e conscientização ambiental. Fonte: Ascom/Sema